Muitos cristãos, ao tomarem a decisão de seguir ao Senhor, pensam que vão ter uma vida mais tranquila. Mas a verdade é o contrário, pois o demônio não tem interesse em atacar os que não são seguidores de Cristo. Até mesmo os santos foram perseguidos. O interesse do maligno é colocar obstáculos na vida daqueles que decidiram seguir o Senhor.
Isso não é motivo de nos levar a uma crise. Não temos motivo para temer o inimigo, pois ele já foi derrotado. O demônio é que tem de ter medo de você, e a razão é simples: nós somos filhos e filhas de Deus, herdeiros do Reino. O maligno tem muita raiva, porque aquilo que foi dado a ele uma vez, agora é dado a nós. Ele tenta nos enganar de várias maneiras, mas tem uma técnica que ele usa frequentemente para nos atacar: é o desânimo, o desencorajamento. O desânimo não vem de Deus, sempre vem do inimigo, daquele que nos faz desistir de ir em frente.
Vamos olhar para São Pio de Pietrelcina. Quando um analista do Vaticano disse que ele era um psicopata, este santo entrou numa crise tremenda. Ele olhou para seus estigmas e se questionou se tudo era falso. Madre Teresa de Calcutá, no seu leito de morte, também viveu uma grande crise ao sentir o amor de Deus longe dela. O bispo teve de enviar um exorcista até ela e convencê-la de que aquele sentimento não vinha de Deus.
É muito normal que também nós vivamos esses momentos de crise. Seguir Jesus num momento de entusiasmo é fácil, mas continuar O seguindo nos momentos de sofrimento é difícil. O inimigo virá tentá-lo quando você estiver se sentindo fraco, cheio de medos, com raiva, ansiedade, tristeza. É nosso papel lutar contra essas táticas que ele usa para nos desanimar. A tática que ele também utiliza é nos apresentar meias verdades, porque o demônio é um mentiroso, enganador, trapaceiro. Ele nos apresenta algo que parece muito bom, quando, na verdade, é muito ruim.
O maligno diz que por causa dos seus pecados, você não consegue fazer nenhuma tentativa para ser mais santo. Muitas vezes nós pensamos que as tentações são somente relacionadas ao sexo, à raiva, aos sentimentos de ódios. Essas são grandes tentações. Mas temos de estar atentos a uma grande tentação que é não fazer a vontade de Deus.
O inimigo faz de tudo para que nós saiamos do caminho da vontade do Senhor. Ele ousou tentar Jesus a desobedecer ao Pai, quando O levou ao alto do monte e mostrou-Lhe as cidades, dizendo que elas pertenciam a Ele [Jesus]. A tentação do inimigo a Cristo era muito atraente. O Pai dizia para o Filho ir para a cruz e o inimigo pedia que Ele desobedecesse ao Pai e tomasse posse daquelas cidades. Mas Nosso Senhor Jesus Cristo diz: “Afasta-te de mim, satanás. Eu adoro somente ao Pai”.
Irmãos e irmãs, será uma luta até o fim de nossa vida, mas se nós usarmos as armas não precisaremos ter medo nenhum. A primeira arma é a Eucaristia. O inimigo treme diante da Eucaristia, porque ela é sinal de humildade. Jesus quis, por um momento, aniquilar a Si mesmo, entrando nas espécies do pão e do vinho para ficar perto de nós. Uma outra arma forte contra o inimigo é o Sacramento da Confissão. Este sacramento é mais poderoso do que a própria oração do exorcismo.
Momentos de desânimo podem acontecer em nossas vidas. Quando isso acontecer se agarre a Virgem Maria. Um jovem teve uma visão na qual ele precisava construir uma barco para atravessar o oceano. Enquanto ele construía este objeto as pessoas diziam que ele não iria conseguir e que ele não conseguiria vencer a fúria do mar. Até que aquele rapaz terminou de construí-lo e começou a remar em direção à longa jornada no oceano. Mas um amigo disse a ele: “Meu amigo, tenha coragem. Seja forte!” E aquele jovem olhou somente para aquele homem que estava dando força para que ele continuasse. E toda vez que ele sentia o desânimo se aproximar ele se lembrava daquelas palavras do amigo.
Muitos poderão nos chamar de doidos, de loucos, mas há uma Maria que está gritando em nossos ouvidos: “Boa viagem! Não tenhais medo do inimigo. Não desanimem porque a vitória é nossa. Uma vez que Jesus Cristo derrotou o inimigo, com o Senhor nós também o derrotaremos.” A Santíssima Virgem Maria nos diz hoje: “Eu estarei com vocês. Não tenham medo. Vão em frente. Vocês serão vencedores!”
Rogue pela intercessão da Mãe, clamando: Maria, nós cremos em Ti, porque Tu és nossa Mãe. Nenhuma mãe deixará o filho em perigo sem dar a ele uma mão, sem ajudá-lo. Maria, sabemos que Tu estás conosco, e por causa de Ti nos sentimos seguros.
Nossa Senhora nos diz: “Faça tudo o que Ele lhe disser. Vá em frente. Não desanime! .
Lembre-se das palavras de Jesus: ‘Eu sou, porque nada é impossível para aquele que crê’”
Frei Elias Vella Franciscano conventual, líder da RCC na Ilha de Malta
Está sendo inaugurada a NOVA seção do nosso blog, Confiram nos links informações como, o Evangelho e Santo do dia visitem páginas com conteúdos católicos e a Home Page de nossa Paróquia.
Evitar companhias e lugares que podem levar ao pecado
Há um ditado popular que diz: “Antes sozinho que mal acompanhado”. Como entendê-lo? Estar sozinho, buscar a solidão é algo que assusta a todos nós, pois Deus não nos criou para o isolamento, mas sim, para vivermos em sociedade:
O SENHOR DEUS DISSE: “NÃO É BOM QUE O HOMEM ESTEJA SÓ; VOU DAR-LHE UMA AJUDA QUE LHE SEJA ADEQUADA” (Gênesis 2,18).
Já era uma preocupação do Altíssimo que não vivêssemos sozinhos, pois bem sabe o Senhor o quão difícil é o peso da solidão. Criou-nos para estarmos em sociedade. Mas, acontece que nem todos caminham na mesma direção, nem todos buscam o mesmo sentido.
Quando isso não acontece o que fazer?
Geralmente as pessoas se agrupam por afinidades, por grupos de interesse. Em nosso caso, cristãos que somos, estamos juntos, pois seguimos a Cristo e acreditamos em Suas palavras. Acontece que nem todos têm o mesmo pensamento que o nosso, aliás, a sociedade de hoje é uma sociedade pagã que, infelizmente, se distancia cada vez mais de Deus. Por isso, é um desafio constante cultivar amizades e relacionamentos nessa realidade.
Um princípio dos alcoólatras anônimos é: “Evitar o primeiro gole”. Ora, para evitar o primeiro gole é preciso evitar companhias, lugares e situações que podem provocar a queda e a volta ao vício. Na verdade, é a aplicação do princípio deixado por Jesus Cristo: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação”.
Oração e vigilância. Vigilância é exatamente isso: evitar companhias, lugares e situações que podem nos afastar de Deus, que podem nos levar ao pecado.
Se o outro não entender o motivo pelo qual evito sua companhia (e que isso seja feito não de forma agressiva!) e ele me der a oportunidade de lhe explicar, posso simplesmente dizer-lhe que minhas escolhas são distintas da dele. Caso perceba que ele não vá me entender, é preferível buscar refúgio no silêncio e na oração.
É dessa forma que dá para entender o ditado: “Antes sozinho do que mal acompanhado”, isto é, é preferível ficar sozinho que permanecer caminhando ao lado de pessoas que não me compreendem nem me auxiliam neste processo de busca de santidade que almejo.
No entanto, andar sozinho não quer dizer que eu tenho o direito de julgar o outro achando que ele está no caminho errado e eu no certo: certas coisas não precisam ser ditas. Cada um tem a sua consciência. Assim como não tenho o direito de me fechar caso a pessoa me procure: devo, como Jesus, estar sempre pronto a acolher e a ouvir, e caso seja solicitado a emitir a minha opinião sobre o que é correto, porque ensinar os ignorantes é uma obra de misericórdia.
Busquemos juntos a Divina Misericórdia e ela nos capacitará a buscar o outro de uma forma renovada.
A tradição de investir bastante na Quaresma mas, talvez, descuidar um pouco a Páscoa (os 50 dias de festa). Tal procedimento é causa de uma certa desfiguração da Páscoa e da vida cristã. O que se poderá fazer? Com a finalidade de celebrar melhor e de viver frutuosamente os dias santos da Páscoa, apresentamos, em síntese, algumas orientações da Carta Circular da Congregação para o Culto Divino, de 16 de Janeiro de 1988 sobre a "Preparação e celebração das festas pascais". 1. A celebração da Páscoa continua no tempo pascal. Os cinquenta dias que se seguem desde o Domingo da Ressurreição até ao Domingo de Pentecostes, celebram-se na alegria como um único dia de festa, mais ainda, como o "grande Domingo" (nº 100). 2. Os Domingos deste tempo são considerados como "Domingos de Páscoa" e têm precedência sobre qualquer festa do Senhor e qualquer solenidade. As solenidades que ocorram nestes Domingos devem transferir-se para a Segunda-Feira seguinte. As celebrações em honra da Santíssima Virgem ou dos Santos, que caem na semana, não podem ser transferidas para estes Domingos (nº 101). 3. Os neófitos (aqueles que vão receber o Batismo) tenham reservado um lugar especial entre os fiéis durante todo o tempo pascal, nas Missas dominicais. Os neófitos procurem participar nas Missas juntamente com os seus padrinhos. Na homilia e, quando parecer oportuno, na oração universal ou dos fiéis, faça-se menção deles. Organize-se uma celebração especial, conforme os costumes de cada região, nas proximidades do Pentecostes, para terminar o tempo da mistagogia. É muito conveniente que as crianças façam a sua primeira comunhão nestes domingos pascais (nº 103). 4. Durante o Tempo pascal, os pastores instruam os fiéis já iniciados no Sacramento da Eucaristia sobre o significado do preceito da Igreja de receber neste tempo a sagrada comunhão. Muito se recomenda que, especialmente durante a oitava de Páscoa, se leve a comunhão aos enfermos (nº 104). 5. Onde é costume benzer as casas por ocasião das festas pascais, essa bênção seja feita pelo pároco ou por outros sacerdotes ou diáconos por ele delegados. Esta é uma ocasião preciosa para exercitar o ofício pastoral. O pároco acorra às casas, para fazer visita pastoral a cada família, mantenha um colóquio com os seus membros e com eles celebre um momento de oração, usando os textos do Ritual das Bênçãos (bênção anual nas casas). Nas grandes cidades veja-se a possibilidade de reunir várias famílias ao mesmo tempo, para celebrar em conjunto o rito da bênção (nº 105). 6. Segundo a diversidade de países e culturas, existem muitos costumes populares, vinculados com as celebrações do tempo pascal, que porventura suscitam uma participação popular superior à das próprias celebrações litúrgicas. Tais costumes não devem ser desprezados, dado que, frequentemente, exprimem bem a mentalidade religiosa dos fiéis... (nº 106) 7. Este sagrado tempo de cinquenta dias conclui-se com o Domingo de Pentecostes em que se comemora o dom do Espírito Santo derramado sobre os Apóstolos, os primórdios da Igreja e o início da sua missão a "todas as línguas, povos e nações". Recomenda-se a celebração prolongada da Missa da Vigília de Pentecostes, que não tem um carácter baptismal como a Vigília de Páscoa, mas antes o de oração intensa, segundo o exemplo dos Apóstolos e discípulos, que perseveravam unânimes em oração com Maria, a Mãe de Jesus, esperando o dom do Espírito Santo (nº 107). 8. "É próprio da festa pascal que toda a Igreja se alegre pelo perdão dos pecados, concedido não só àqueles que renasceram por meio do santo Baptismo, mas também àqueles que já são contados há mais tempo no número dos filhos adoptivos de Deus". Mediante uma actividade pastoral mais diligente e um maior empenho espiritual por parte de todos e cada um, com a graça de Deus, será possível a quantos tiverem participado nas festas pascais testemunharem na vida o mistério da Páscoa celebrado na fé (nº 108).
Os Preceitos da Igreja começaram a aparecer na Idade Média, associados com a prática da confissão e desenvolveram-se mais depois que o Concílio de Trento tornou obrigatório o Preceito Pascal.
Foi então que se começou a organizar a forma dos Preceitos da Igreja.
S. Pedro Canísio(1555), começou por estabelecer :
1- Observância especial dos dias festivos.
2- Assistência reverente à Missa nos domingos e outros dias de obrigação.
3- Observância dos dias obrigatórios de jejum e abstinência.
4- Confissão anual.
5- Recepção da Sagrada Comunhão na Páscoa.
Sob a influência de S. Roberto Belarmino (1542-1621), foi incluída a contribuição para Igreja e promulgada a obrigação de dar educação cristã.
Apesar de todos os cuidados na organização dos Preceitos da Igreja eles nunca foram oficialmente aprovados pela Igreja.
Na linha dos poderes do seu Magistério, a Igreja tem que exercer o seu poder de ensinar e de estabelecer os seus próprios Preceitos na base da lei moral e da Liturgia.
O Catecismo da Igreja Católica expõe a doutrina acerca dos Preceitos da Igreja :
2041. - Os preceitos da Igreja inserem-se nesta linha dum vida moral ligada à vida litúrgica e nutrindo-se dela. O caráter obrigatório destas leis positivas, ditadas pelas autoridades pastorais, tem por fim garantir aos fiéis o mínimo indispensável, no espírito de oração e no esforço moral, no crescimento do amor de Deus e do próximo. Os Preceitos mais gerais da Igreja são cinco.
2042. - O Primeiro Preceito ( "Ouvir missa inteira e abster-se de trabalhos servis nos domingos e festas de guarda") exige aos fiéis que participem na celebração eucarística, em que a comunidade cristã se reúne, e se abstenham dos trabalhos e negócios que impeçam o culto, a alegria e o devido repouso do espírito e do corpo, no dia em que se comemora a Ressurreição do Senhor, e nos principais dias de festa em honra dos mistérios do Senhor, da Virgem Maria e dos Santos, que a Igreja declara como sendo de Preceito.
O segundo preceito ("Confessar-se ao menos uma vez em cada ano"), recorda ao fiel a obrigação de confessar os pecados graves e de assegurar a preparação para a Eucaristia, mediante a recepção do sacramento da Reconciliação, que continua a obra da conversão e perdão do Baptismo.
O terceiro preceito ("Comungar ao menos pela Páscoa da Ressurreição"), garante um mínimo na recepção do Corpo e Sangue do Senhor, em ligação com as festas pascais, origem e centro da liturgia cristã.
2043. - O quarto preceito ("Guardar a abstinência e jejuar nos dias marcados pela Igreja"), assegura os dias de ascese e de penitência que nos preparam para as festas litúrgicas; o jejum e a abstinência contribuem para nos fazer adquirir o domínio sobre os nossos instintos e a liberdade do coração.
O quinto preceito ("Contribuir para as despesas do culto e para a sustentação do clero segundo os legítimos usos e costumes e as determinações da Igreja"), aponta aos fiéis a obrigação de, conforme as suas possibilidades, "prover às necessidades da Igreja, de forma que ela possa dispor do necessário para o culto divino, para as obras apostólicas e de caridade e para a honesta sustentação dos seus ministros".
Estes preceitos têm caráter obrigatório(CIC 2041); desta maneira, faltar ao cumprimento de um preceito obrigatório, deliberada e conscientemente, é um desprezo voluntário de um preceito obrigatório, o que pode ser pecado grave.
Segue-Me entrevista: Seguidora Soraia Jaques de Goiânia
A 2ª Etapa do Segue-me é um sonho dos seguidores que virou realidade. No ano em que o movimento comemora os seus 30 anos, a iniciativa começa a frutificar em outros estados. Goiânia realizou no final de abril o primeiro encontro da 2ª Etapa. A seguidora Soraia Jaques, conhecida no Segue-me por Soso que fez o 10º Segue-me em 2005, na Paróquia Sagrado Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo e Santo Expedito, foi uma das seguidoras que entraram para história do encontro, ao participar da primeira iniciativa que dará frutos no estado de Goiás.
Amante de música, cinema e teatro, Soso cursa o terceiro período de Farmácia. Na oportunidade a equipe do Portal do Seguidor entrevistou a seguidora, que contou como conheceu o Segue-me e a impressão sobre a 2ª Etapa.
Segue-me.com - Qual a importância do Segue-me em sua vida?
Soraia - O Segue-me me aproximou mais da Igreja e fez com que eu percebesse a importância de seguir Jesus.
Segue-me.com - Você acredita que o Segue-me contribui no seu relacionamento familiar? Se sim, de qual maneira?
Soraia - Sim. Nunca tive problemas de convivência com meus pais e com meu irmão. Mas depois do SEGUE-ME passei a compreender melhor a importância do perdão e do diálogo, além de aceitar melhor os pontos de vista diferentes dos meus. Vale ressaltar que depois que fiz o SEGUE-ME, meus pais passaram a freqüentar com assiduidade a igreja. Eles fizeram o ECC e eu e o meu irmão fizemos a Primeira Eucaristia e a Crisma. Agora, a nossa família participa da Pastoral do Acolhimento.
Segue-me.com - Como ficou sabendo da 2ª Etapa?
Soraia - Através dos meus tios. Os mesmos que me convidaram para participar da primeira Etapa. No ano passado eles tiveram a oportunidade de conhecer a 2º Etapa e me contaram sobre o encontro. Posteriormente fui convidada para fazer o encontro pela atual equipe dirigente da paróquia. Esse convite foi uma ótima surpresa.
Segue-me.com - A 2ª Etapa te levou a refletir sobre a sua caminhada no Segue-me? Se sim, existe algo que você possa melhorar?
Soraia - Com certeza. Formar lideranças jovens é um grande desafio e a 2º Etapa nos mostra que isso é possível. Pude conhecer pessoas de outros núcleos e trocar experiências a respeito do Segue-me. Acredito que minha responsabilidade como seguidora se tornou ainda maior.
Segue-me.com - Qual a sua impressão sobre a 2ª Etapa?
Soraia - Ótima. Lembrei muito da primeira etapa e do quanto ela foi importante pra mim. Pude renovar meu ânimo enquanto seguidora
Segue-me.com - O que você acha do Segue-me se tornar um encontro de abrangência nacional?
Soraia - Uma excelente idéia. Só assim o seguidor passará a ter uma identidade reconhecida onde quer que vá. Além do mais, ganharemos força para enfrentar as dificuldades e os problemas, que muitas vezes nos desmotivam a continuar na caminhada.
Segue-me.com - Por fim deixe aqui uma mensagem para os leitores do Segue-me.com.
Soraia - Participar do Segue-me é muito mais do que trabalhar em encontros. Ser seguidor implica em propagar a outros jovens a importância de seguir Jesus. Além disso, ao servirmos estamos por outro lado aprendendo a liderar, a ser liderado, a desenvolver habilidades que desconhecemos. Elas podem fazer a diferença nas nossas vidas profissional e social. Procurem se informar a respeito da 2º Etapa do Segue-me e quando tiverem oportunidade a façam.
Uma criança pronta para nascer perguntou a Deus: - "Dizem-me que estarei sendo enviado à Terra amanhã... Como eu vou viver lá, sendo assim pequeno e indefeso?" E Deus disse: - "Entre muitos anjos, eu escolhi um especial para você. Estará lhe esperando e tomará conta de você." Criança: - "Mas diga-me: aqui no Céu eu não faço nada a não ser cantar e sorrir, o que é suficiente para que eu seja feliz. Serei feliz lá?" Deus: - "Seu anjo cantará e sorrirá para você... A cada dia, a cada instante, você sentirá o amor do seu anjo e será feliz." Criança: - "Como poderei entender quando falarem comigo, se eu não conheço a língua que as pessoas falam?" Deus: - "Com muita paciência e carinho, seu anjo lhe ensinará a falar." Criança: - "E o que farei quando eu quiser Te falar?" Deus: - "Seu anjo juntará suas mãos e lhe ensinará a rezar." Criança: - "Eu ouvi que na Terra há homens maus. Quem me protegerá?" Deus: - "Seu anjo lhe defenderá mesmo que signifique arriscar sua própria vida." Criança: - "Mas eu serei sempre triste porque eu não Te verei mais." Deus: - "Seu anjo sempre lhe falará sobre Mim, lhe ensinará a maneira de vir a Mim, e Eu estarei sempre dentro de você." Nesse momento havia muita paz no Céu, mas as vozes da Terra já podiam ser ouvidas. A criança, apressada, pediu suavemente: - "Oh Deus, se eu estiver a ponto de ir agora, diga-me por favor, o nome do meu anjo." E Deus respondeu : - "Você chamará seu anjo de ... MÃE!"
O mês de maio é dedicado às mães. Mas, para a Igreja Católica, a data também é de devoção à Maria, mãe de Jesus Cristo, e considerada, por aquela religião, mãe de todos aqueles que acreditam em sua santidade. A dedicação do mês de maio à Maria nada tem a ver com o fato de que no período se comemora o Dia das Mães.
O que alguns seguimentos da Igreja alegam, é que o mês é dedicado à Maria, porque em 13 de maio de 1917, em Fátima, uma pequena cidade de Portugal, três crianças começaram a ter visões da mãe de Jesus, que a partir daí passou a ser chamada, também, de Nossa Senhora de Fátima.
Segundo a religião Católica, Maria sempre fora uma boa filha e uma mulher que seguia os preceitos de sua religião, o judaísmo. Quando estava noiva do carpinteiro José, Maria foi escolhida por Deus para conceber seu filho, Jesus Cristo, que viria ao mundo para salvar a humanidade do pecado. De acordo com a Bíblia, Maria ficou grávida por ação do Espírito Santo, antes de se casar, e assim correu o risco de ser apedrejada como era lei naquela época. Além disso, suportou a pobreza, a perseguição a seu filho, e por fim teve de ver Jesus ser condenado e crucificado.
Maria, nossa Mãe, é a fonte da nossa alegria. Ninguém aprendeu tão bem como Maria a humildade. Ela era a serva. "Ser serva", significa ser utilizada com alegria para o bem das pessoas. A alegria era à força da Virgem Santíssima.
Só a alegria lhe podia dar a força para se dirigir apressadamente para as colinas da Judéia para fazer um trabalho de serva. Nossa Senhora caminhou pressurosa em direção à montanha e ali permaneceu três meses para fazer o trabalho de criada da sua prima.Assim também tem de ser conosco. Nós devemos possuir antes de dar. Quem tem a missão de distribuir, deve primeiro crescer no conhecimento de Deus e encher-se desse conhecimento e dessa alegria.
Como Maria, também nós fazemos tantas coisas todos os dias: coisas pequenas, mas como Ela, com grande amor. Também Jesus quis ficar numa coisa pequena: o pão. Comendo-O a Ele nós estamos vivos. Se O reconhecemos quando se faz pão, O descobriremos também quando está nu, quando expulso e humilhado, quando Ele é alguém em necessidade (como Maria à sua prima Isabel). Ele está faminto não só de pão, mas de amor; está humilhado não só em Si mesmo, mas nos irmãos.
Maria O amou sempre: em Belém e na cruz, no céu e nos sótãos, na igreja e nos hospitais, na família e nas oficinas... Ela ajuda-nos a fazer o mesmo, difundindo a alegria e a esperança, dando amor e ternura, com atos mais do que com palavras, com o coração aberto a todos.
Penso que Deus escolheu Maria, uma mulher, para manifestar melhor o Seu amor pelos homens; e Ela compreendeu isso muito bem, pois começou'logo a dar o que tinha acabado de receber. Por outras palavras, distribuiu a Eucaristia. De fato, logo depois da Anunciação do Anjo, Deus fez-se homem n'Ela. E Ela, o que fez? Corre depressa a levá-Lo a Isabel e a João ainda escondido no seio de sua mãe. João reconhece Jesus e pula de alegria.
Este é o nosso dom de mulheres: levar a alegria, a vida. E. depressa! Por isso, Maria, nas bodas de Caná disse a Jesus: "Não têm vinho!" Obtém para todos que se mude a água (suor e lágrimas) na alegria dos brindes, com o vinho melhor que há!
Maria é a mulher corajosa que está intimamente unida ao Filho até ao fim: está ao Seu lado na Paixão e especialmente no Calvário. Assim é a verdadeira mulher. (Da entrevista da revista vocacional "O Caminho" com a Madre Teresa de Calcutá).
Por todos esses motivos, e independentemente de religião, Maria é tida como exemplo de mãe que sofreu muitas agruras na vida, mas que, por sua fé e dedicação a Deus, soube enfrentar tudo com muita humildade e coragem.
Mas a luta de Maria ainda perdura até os dias de hoje. Existem, no mundo, milhões de “Marias” que, a despeito de toda a evolução política, econômica, social e tecnológica, ainda não conseguiram um local digno para morar, assistência médica eficiente, emprego e salários compatíveis com suas necessidades, respeito profissional e igualdade de direitos e deveres em relação aos homens. A mulher segue sendo marginalizada, discriminada e explorada. Muitas ainda comercializam seus corpos e até mesmo seus filhos para conseguirem um mísero pedaço de pão
“Ao aproximar-se o mês de Maio, consagrado a Maria Santíssima pela piedade dos fiéis, o nosso espírito exulta ao pensar no espetáculo comovente de fé e de amor que, dentro em breve, será oferecido em todas as partes da terra em honra da Rainha do céu. Na verdade, é um mês em que, nos templos e entre as paredes domésticas, sobe dos corações dos cristãos até Maria a homenagem mais ardente e afetuosa da prece e da veneração. E é também o mês em que mais copiosos e mais abundantes descem até nós, do seu trono, os dons da misericórdia divina."
(Papa Paulo VI - Encíclica por ocasião do mês de maio)
"Na reunião de formação para as Equipes Dirigentes da Arquidiocese de Natal, hoje 12 dessas Paróquias possuem o Segue-Me, Pe. Valdir (Diretor Arquidiocesano) afirmou que no segundo semestre será implantado na Arquidiocese a 2ª Etapa do Segue-Me, com a participação dos Jovens de Brasília e os Casais das Equipes Dirigentes de Natal nas equipes de trabalho e os Jovens das 12 Equipes Dirigentes para fazer o encontro. Na oportunidade Pe. Valdir afirmou ainda que, a 2ª Etapa do Segue-Me é um encontro da Arquidiocese. O mesmo deverá ocorrer duas vezes por ano."
Com o decorrer do tempo de criação e ampliação do Movimento Segue-Me, em Brasília e em outros Entes da Federação, verificou-se a necessidade de aprofundar a espiritualidade dos Seguidores. Assim, seguindo as orientações do Documento Básico Normativo, o Conselho Arquidiocesano do Segue-Me realizou, em 2005, a primeira edição da 2ª Etapa do Segue-Me.
Objetivos:
Suscitar nos jovens seguidores a importância do compromisso e o despertar da liderança cristã em relação ao movimento Segue-Me, fazendo com que os mesmos se descubram como elementos construtores e evangelizadores de grande importância, dentro de seus respectivos Núcleos.
Preparar os jovens seguidores para assumirem novas responsabilidades, não somente em seus Núcleos, mas, também, na esfera dos Conselhos Setoriais do Segue-Me.
Orientar os jovens seguidores sobre a relevância da integração dos Núcleos para o bom andamento e a uniformização do Movimento Segue-Me.
Conscientizar os jovens seguidores sobre a importância do engajamento nas Pastorais.
Criar círculos de seguidores, os quais serão divididos por setores para discussões posteriores sobre o Movimento Segue-Me em sua totalidade.
Critérios para inscrição:
A 2ª etapa destina-se aos jovens seguidores com no mínimo 02(dois) anos de caminhada no movimento Segue-Me, estando estes preferencialmente envolvidos em equipes de Pós-Encontro, Pastorais e jovens Dirigentes.
A indicação dos jovens caberá a Equipe Dirigente de cada Núcleo com o aval do Diretor Espiritual, ficando a analise e seleção a cargo da equipe responsável pela 2ª Etapa.
São João da Cruz foi escolhido para ser o Padroeiro de todos os Serviços da Paróquia esse ano, então o Blog antecipa a sua Bibliografia.
São João da Cruz nasceu em 1542 em Fontiveros, província de Ávila, na Espanha. Seus pais se chamavam Gonzalo de Yepes e Catalina Alvarez. Gonzalo pertencia a uma família de posses da cidade de Toledo. Por ter-se casado com uma jovem de classe "inferior" foi deserdado por seus pais e tornou-se tecelão de seda.
Em 1548, a família muda-se para Arévalo. Em 1551 transfere-se para Medina del Campo, onde o futuro reformador do Carmelo estuda numa escola destinada a crianças pobres. Por suas aptidões, torna-se empregado do diretor do Hospital de Medina del Campo. Entre 1559 a 1563 estuda Humanidades com os Jesuítas. Ingressou na Ordem dos Carmelitas aos vinte e um anos de idade, em 1563, quando recebe o nome de Frei João de São Matias, em Medina del Campo. Pensa em tornar-se irmão leigo, mas seus superiores não o permitiram. Entre 1564 e 1568 faz sua profissão religiosa e estuda em Salamanca. Tendo concluído com êxito seus estudos teológicos, em 1567 ordena-se sacerdote e celebra sua Primeira Missa.
Infelizmente, ficou muito desiludido pelo relaxamento da vida monástica em que viviam os conventos carmelitas. Decepcionado, tenta passar para a Ordem dos Cartuxos, ordem muito austera, na qual poderia viver a severidade de vida religiosa à que se sentia chamado. Em setembro de 1567 encontra-se com Santa Teresa, que lhe fala sobre o projeto de estender a Reforma da Ordem Carmelita também aos padres. O jovem de apenas vinte e cinco anos de idade aceitou o desafio. Trocou o nome para João da Cruz. No dia 28 de novembro de 1568, juntamente com Frei Antônio de Jesús Heredia, inicia a Reforma. O desejo de voltar à mística religiosidade do deserto custou ao santo fundador maus tratos físicos e difamações. Em 1577 foi preso por oito meses no cárcere de Toledo. Nessas trevas exteriores acendeu-se-lhe a chama de sua poesia espiritual. "Padecer e depois morrer" era o lema do autor da "Noite Escura da alma", da "Subida do monte Carmelo", do "Cântico Espiritual" e da "Chama de amor viva".
A doutrina de João da Cruz é plenamente fiel à antiga tradição: o objetivo do homem na terra é alcançar "Perfeição da Caridade e elevar-se à dignidade de filho de Deus pelo amor"; a contemplação não é um fim em si mesma, mas deve conduzir ao amor e à união com Deus pelo amor e, por último, deve levar à experiência dessa união à qual tudo se ordena". "Não há trabalho melhor nem mais necessário que o amor", disse o Santo. "Fomos feitos para o amor". "O único instrumento do qual Deus se serve é o amor". "Assim como o Pai e o Filho estão unidos pelo amor, assim o amor é o laço da união da alma com Deus".
O amor leva às alturas da contemplação, mas como o amor é produto da fé, que é a única ponte que pode salvar o abismo que separa a nossa inteligência do infinito de Deus, a fé ardente e vívida é o princípio da experiência mística. João da Cruz costuma pedir a Deus três coisas: que não deixasse passar um só dia de sua vida sem enviar-lhe sofrimentos, que não o deixasse morrer ocupando o cargo de superior e que lhe permitisse morrer humilhado e desprezado.
Faleceu no convento de Ubeda, aos quarenta e nove anos, no dia 14 de dezembro de 1591, após três meses de sofrimentos atrozes. A primeira edição de suas obras deu-se em Alcalá, em 1618. No dia 25 de janeiro de 1675 foi beatificado por Clemente X. Foi canonizado e declarado Doutor da Igreja por Pio XI . Em 1952 foi proclamado "Patrono dos Poetas Espanhóis".
Talvez a mais bela e completa descrição física e espiritual do Santo Fundador tenha sido feita por Frei Eliseu dos Mártires que com ele conviveu em Baeza: "Homem de estatura mediana, de rosto sério e venerável. Um pouco moreno e de boa fisionomia. Seu trato era muito agradável e sua conversa bastante espiritual era muito proveitosa para os que o ouviam. Todos os que o procuravam saíam espiritualizados e atraídos à virtude. Foi amigo do recolhimento e falava pouco. Quando repreendia como superior, que o foi muitas vezes, agia com doce severidade, exortando com amor paternal.." Santa Teresa de Jesus o considerava "uma das almas mais puras que Deus tem em sua Igreja. Nosso Senhor lhe infundiu grandes riquezas da sabedoria celestial. Mesmo pequeno ele é grande aos olhos de Deus. Não há frade que não fale bem dele, porque tem sido sua vida uma grande penitência". Poucos homens falaram dos sublimes mistérios de Deus na alma e da alma em Deus como São João da Cruz.
Publicado no Jornal "O Estado de São Paulo" de 05/04/2005, terça feira
Escrevo enquanto vejo a morte do Papa na TV. E me espanto com a imensa emoção mundial. Espanto-me também comigo mesmo: “Como eu estou sozinho!” — pensei.
Percebi que tinha de saber mais sobre mim, eu, sozinho, sem fé alguma, no meio desse oceano de pessoas rezando no Ocidente e Oriente. Meu pai, engenheiro e militar, me passou dois ensinamentos: ele era ateu e torcia pelo América Futebol Clube. Claro que segui seus passos. Fui América até os 12 anos, quando “virei casaca” para o Flamengo (mas até hoje tenho saudade da camisa vermelha, garibaldina, do time de João Cabral e Lamartine Babo) e parei de acreditar em Deus.
Sei que “de mortuis nihil nisi bonum” (“não se fala mal de morto”), mas devo confessar que nunca gostei desse Papa. Por quê? Não sei. É que sempre achei, nos meus traumas juvenis, que Papa era uma coisa meio inútil, pois só dava opiniões genéricas sobre a insânia do mundo, condenando a “maldade” e pedindo uma “paz” impossível, no meio da sujeira política.
Quando João Paulo entrou, eu era jovem e implicava com tudo. Eu achava vigarice aquele negócio de fingir que ele falava todas as línguas. Que papo era esse do Papa? Lendo frases escritas em partituras fonéticas... Quando ele começou a beijar o chão dos países visitados, impliquei mais ainda. Que demagogia! — reinando na corte do Vaticano e bancando o humilde...
Um dia, o Papa foi alvejado no meio da Praça de São Pedro, por aquele maluco islâmico, prenúncio dos tempos atuais. Eu tenho a teoria de que aquele tiro, aquela bala terrorista despertou-o para a realidade do mundo. E o Papa sentiu no corpo a desgraça política do tempo. Acho que a bala mudou o Papa. Mas fiquei irritadíssimo quando ele, depois de curado, foi à prisão “perdoar” o cara que quis matá-lo. Não gostei de sua “infinita bondade” com um canalha boçal. Achei falso seu perdão que, na verdade, humilhava o terrorista babaca, como uma vingança doce.
E fui por aí, observando esse Papa sem muita atenção. É tão fácil desprezar alguém, ideologicamente... Quando vi que ele era “reacionário” em questões como camisinha, pílula e contra os arroubos da Igreja da Libertação, aí não pensei mais nele...Tive apenas uma admiração passageira por sua adesão ao Solidariedade do Walesa mas, como bom “materialista”, desvalorizei o movimento polonês como “idealista”, com um Walesa meio “pelego”. E o tempo passou.
Depois da euforia inicial dos anos 90, vi que aquela esperança de entendimento político no mundo, capitaneado pelo Gorbatchev, fracassaria. Entendi isso quando vi o papai Bush falando no Kremlin, humilhando o Gorba, considerando-se “vitorioso”, prenunciando as nuvens negras de hoje com seu filhinho no poder. Senti que o sonho de entendimento socialismo-capitalismo ia ser apenas o triunfo triste dos neo-conservadores. O mundo foi piorando e o Papa viajando, beijando pés, cantando com Roberto Carlos no Rio. Uma vez, ele declarou: “A Igreja Católica não é uma democracia”. Fiquei horrorizado naquela época liberalizante e não liguei mais para o Papa “de direita”.
Depois, o Papa ficou doente, há dez anos. E eu olhava cruelmente seus tremores, sua corcova crescente e, sem compaixão alguma, pensava que o Pontífice não queria “largar o osso” e ria, como um anticristo.
Até que, nos últimos dias, João Paulo II chegou à janela do Vaticano, tentou falar... e num esgar dolorido, trágico, foi fotografado em close, com a boca aberta, desesperado.
Essa foto é um marco, um símbolo forte, quase como as torres caindo em NY. Parece um prenúncio do Juízo final, um rosto do Apocalipse, a cara de nossa época. É aterrorizante ver o desespero do homem de Deus, do Infalível, do embaixador de Cristo. Naquele momento, Deus virou homem. E, subitamente, entendi alguma coisa maior que sempre me escapara: aquele rosto retorcido era o choro de uma criança, um rosto infantil em prantos! O Papa tinha voltado a seu nascimento e sua vida se fechava. Ali estava o menino pobre , ex-ator, ex-operário, ali estavam as vítimas da guerra, os atacados pelo terror, ali estava sua imensa solidão igual à nossa. Então, ele morreu. E ontem, vendo os milhões chorando pelo mundo, vendo a praça cheia, entendi de repente sua obra, sua imensa importância. Vendo a cobertura da Globo, montando sua vida inteira, seus milhões de quilômetros viajados, da África às favelas do Nordeste, entendi o Papa. Emocionado, senti minha intensíssima solidão de ateu. Eu estava fora daquelas multidões imensas, eu não tinha nem a velha ideologia esfacelada, nem uma religião para crer, eu era um filho abandonado do racionalismo francês, eu era um órfão de pai e mãe. Aí, quem tremeu fui eu, com olhos cheios d’água. E vi que Karol Wojtyla, tachado superficialmente de “conservador”, tinha sido muito mais que isso. Ele tinha batido em dois cravos: satisfez a reacionaríssima Cúria Romana implacável e cortesã e, além disso, botou o pé no mundo, fazendo o que italiano algum faria: rezar missa para negões na África e no Nordeste, levando seu corpo vivo como símbolo de uma espiritualidade perdida. O conjunto de sua obra foi muito além de ser contra ou a favor da camisinha. Papa não é para ficar discutindo questões episódicas. É muito mais que isso. Visitou o Chile de Pinochet e o Iraque de Saddam e, ao contrário de ser uma “adesão alienada”, foi uma crítica muito mais alta, mostrando-se acima de sórdidas políticas seculares, levando consigo o Espírito, a ideia de Transcendência acima do mercantilismo e ditaduras. E foi tão “moderno” que usou a “mídia” sim, muito bem, como Madonna ou Pelé.
E nisso, criticou a Cúria por tabela, pois nenhum cardeal sairia do conforto dos palácios para beijar pé de mendigo na América Latina. João Paulo cumpriu seu destino de filósofo acima do mundo, que tanto precisa de grandeza e solidariedade.
Sou ateu, sozinho, condenado a não ter fé, mas vi que se há alguma coisa de que precisamos hoje é de uma nova ética, de um pensamento transcendental, de uma espiritualidade perdida. João Paulo na verdade deu um show de bola.